FESTIVAL DE ARTE E CULTURA ESPÍRITA

INSCRIÇÕES ABERTAS!

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FACE NA TV MUNDO MAIOR

Márcio e Adriana
ASSISTA AQUI – PROGRAMA MANHÃ BOA NOVA

Queridos Amigos Espíritas!

Este ano o nosso FEMESBC – Festival de Música Espírita de São Bernardo do Campo entraria em sua 6ª Edição…

Entraria se continuasse a ser FEMESBC, do Conselho Espírita de São Bernardo do Campo, mas tudo precisa evoluir, sabemos bem disso.

O Conselho agora é U.S.E. Intermunicipal de São Bernardo do Campoórgão da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo – USESP. Maiores detalhes poderão ser obtidos no site www.conesbc.org.br.

Unimo-nos aos nossos colegas de ideais engajados na Causa que é do Cristo!

Assim, o nosso querido Festival, que nasceu acanhado e vinha se desenvolvendo, também precisava de mudança, crescimento e união.

E como a criança que precisa da orientação dos pais para crescer e se tornar um “homem de bem” nossas atividades da seara espírita precisam prestar mais atenção às orientações que todos já temos através da Codificação de Allan Kardec.

“Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”

Não apenas os Expositores, mas também todos os tarefeiros da Seara, seja qual for sua tarefa, são semeadores da Boa Nova do Cristo e, o artista espírita, seja da música, da pintura, do teatro etc.) não estão de fora.

Assim é que as nossas tarefas espíritas, sejam quais forem, devem ensinar a Boa Nova a fim de trazer a quem necessita o auxílio, a consolação. E para ensinar tem que saber, o estudo da Doutrina, através das obras básicas é fundamental.

A arte é uma ferramenta que também precisa ser aprendida e praticada para que transmita a sua beleza. Não nos esquecendo que os “dons” são conquistas de aprendizados anteriores.

Isso quer dizer que a arte espírita tem que ser somada ao conhecimento da doutrina espírita, pois que a arte espírita deve semear a Boa Nova.

Diante de tudo o nosso festival também precisava mudar e, partir desse ano, daremos início ao FACESBC – Festival de Arte e Cultura Espírita de São Bernardo do Campo, para mostrar não só a música, mas também integrar os diversos tipos de arte (música, teatro, pintura, poesia, literatura, etc)

No entanto, a arte do FACESBC é espírita, essencialmente. Então ela tem que ensinar, consolar, auxiliar, alegrar. Ela tem um objetivo, que está longe das finanças e da fama e muito mais perto do “Deixa tudo que tem e Segue-me” do Cristo.

Livro Obras póstumas, Allan Kardec:

 – “As artes não sairão de seu torpor senão por uma reação para as idéias espiritualistas.”

“ O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá, pois, uma grande influência sobre a música.”

“Espíritas, patrocinem a música espírita: ouçam, componham, toquem e cantem músicas espíritas. Mas que ela seja ato de caridade da parte do músico espírita, tal como na “mediunidade com Jesus”, sem benefícios financeiros e privilégios individualistas.

Estamos em um momento crucial da transição planetária, o sofrimento de espraia entre os corações e os pedidos de socorro nos convocam à prática urgente da lei de amor: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

A tarefa do Espiritismo nessa era de regeneração é essencial e a arte e cultura espírita são de imenso e importantíssimo valor.

“Espíritas, amai-vos e instruí-vos”

O formato do festival também muda, assim, o FACESBC surge com temas a serem abordados pelas artes à luz do Espiritismo.

Não haverá mais premiações como antes, o prêmio será a participação no Evento final a ser realizado, de preferência, em ambiente espírita.

A escolha dos trabalhos será feita por comissão indicada pela USESBC.

O tema para a primeira edição será VALORIZAÇÃO DA VIDA.

O Evento final deverá ocorrer no dia 19/10/2019, no IAM – Instituição Assistencial Meimei, na Rua Francisco Alves, 275, Paulicéia, São Bernardo do Campo, SP.

Demais informações, regulamento e cronograma serão divulgados oportunamente.

Abaixo destacamos todo o capítulo do livro Obras Póstumas, de Allan Kardec, para fins de estudo e reflexão.

LEITURA PARA REFLEXÃO:

Obras póstumas, Allan Kardec

Influência perniciosa das idéias materialistas sobre as artes em geral; sua regeneração pelo Espiritismo

Leu-se no Courrier de Paris du Monde Illustré, de 19 de dezembro de 1868:

“Carmouche escreveu mais de duzentas comédias e comédias musicadas, e é muito justo se o nosso tempo sabe o seu nome. É que ela é terrivelmente fugaz, essa glória dramática que excita tanto a cobiça. A menos que haja assinado obras primas excepcionais, acha-se condenado a ver o seu nome cair no esquecimento, logo que se deixe de combater.

Durante a luta mesmo, ignora-se o maior número. O público, com efeito, não se preocupa, quando olha o cartaz, senão com o título da peça; pouco lhe importa o nome daquele que a escreveu. Tentai vos lembrar de quem assinou tal ou tal obra encantadora, da qual guardastes a lembrança; quase sempre estareis na impossibilidade de vos responder. E quanto mais avancemos, tanto mais isso será assim: as preocupações materiais se substituem, cada vez mais, às preocupações artísticas.

“Carmouche, precisamente, contava a esse respeito uma anedota típica. Meu alfarrabista, dizia ele, com quem eu conversava acerca de meu pequeno comércio, assim se exprimia: Isso não vai mal, senhor; mas isso se modifica; não são mais os mesmos artigos que se debitam. Outrora, quando eu via vir a mim um jovem de dezoito anos, nove sobre dez vezes era para me pedir um dicionário de rimas: hoje, é para me pedir um manual de operações da bolsa.”

Se as preocupações materiais se substituem às preocupações artísticas, isso, talvez, possa ser de outro modo quando se esforça por concentrar todos os pensamentos do homem sobre a vida carnal e destruir, nele, toda esperança, toda aspiração além desta existência? Essa conseqüência é lógica, inevitável, para aquele que não vê nada fora do pequeno círculo efêmero da vida presente. Quando não se vê nada atrás de si, nada diante de si, nada acima de si, sobre o que pode concentrar o pensamento se não for sobre o ponto onde se encontra? O sublime da arte é a poesia do ideal que nos transporta para fora da esfera estreita de nossa atividade; mas o ideal está precisamente nessa região extramaterial onde não se penetra senão pelo pensamento, que a imaginação concebe se os olhos do corpo não a percebem; ora, que inspiração o Espírito pode haurir no espírito do nada? O pintor que não tivesse visto senão o céu brumoso, as estepes áridas e monótonas da Sibéria, e que cresse que ali está o Universo, poderia conceber e descrever a luz e a riqueza de tom da natureza tropical? Como quereis que os vossos artistas e os vossos poetas vos transportem para as regiões que não vêem por seus olhos da alma, que não compreendem e nas quais mesmo eles não crêem?

O Espírito não pode se identificar senão com aquilo que sabe, ou que crê ser uma verdade, e essa verdade, mesmo moral, torna-se para ele uma realidade que exprime tanto melhor quanto a sente melhor; e então, se à inteligência ele junta a flexibilidade do talento, faz passar as suas próprias impressões nas almas dos outros; quais impressões, contudo, pode provocar aquele que não as tem?

A realidade, para o materialista, é a Terra: seu corpo é tudo, uma vez que fora dele nada há, uma vez que mesmo o seu pensamento se extingue com a desorganização da matéria, como o fogo com o combustível. Ele não pode traduzir, para a linguagem da arte, senão o que vê e o que sente; ora, se não vê e não sente senão a matéria tangível, não pode transmitir outra coisa. Onde não vê senão o vazio, não pode nada haurir.

Se se aventura nesse mundo desconhecido para ele, ali entra como um cego e, apesar de seus esforços para se elevar ao diapasão do ideal, permanece sobre o terra-a-terra como um pássaro sem asas.

A decadência da arte, neste século, é o resultado inevitável da concentração das idéias sobre as coisas materiais, e essa concentração, a seu turno, é o resultado da ausência de toda crença na espiritualidade do ser. O século não colhe senão o que semeou. Quem semeia pedras não pode recolher frutas.

As artes não sairão de seu torpor senão por uma reação para as idéias espiritualistas.

E como o pintor, o poeta, o literato, o músico, poderiam ligar seu nome a obras duráveis, quando, para a maioria, não crêem eles mesmo no futuro de seus trabalhos; quando não percebem que a lei do progresso, essa força invencível que arrasta atrás de si os Universos sobre os caminhos do infinito, lhes pede mais que pálidas cópias de criações magistrais dos artistas do tempo passado. Lembra-se dos Fídias, dos Apeles, dos Rafaéis, dos Migueis Ângelos, faróis luminosos que se destacam na obscuridade dos séculos decorridos, como brilhantes estrelas no meio de profundas trevas; mas quem pensa anotar o clarão de uma lâmpada lutando contra o brilhante Sol de um belo dia de verão?

O mundo caminha a passos de gigante desde os tempos históricos; as filosofias dos povos primitivos se transformaram gradualmente. As artes, que se apóiam sobre as filosofias, que delas são a consagração idealizada, deveram elas também se modificar e se transformar. É matematicamente exato dizer que, sem crença, as artes não têm, vitalidade possível, e que toda transformação filosófica conduz, necessariamente, a uma transformação artística paralela.

Em todas as épocas de transformações, as artes periclitam, porque a crença sobre a qual se apóiam não é mais suficiente para as aspirações aumentadas da Humanidade, e que os princípios novos, não sendo ainda adotados de maneira definitiva pela grande maioria dos homens, os artistas não ousam explorar, senão hesitantes, a mina desconhecida que se abre sobre os seus passos.

Durante as épocas primitivas, em que os homens não conheciam senão a vida material, onde a filosofia divinizava a Natureza, a arte procurou, antes de tudo, a perfeição da forma. A beleza corpórea era, então, a primeira das qualidades; a arte dedicou-se a reproduzi-la, a idealizá-la. Mais tarde, a filosofia entrou num caminho novo; os homens, progredindo, reconheceram, acima da matéria, uma força criadora e organizadora, recompensando os bons, punindo os maus, fazendo da caridade uma lei, um mundo novo, um mundo moral se edifica sobre as ruínas do antigo mundo.

Dessa transformação nasceu uma arte nova, que fez palpitar a alma sob a forma e acrescentou, à perfeição plástica, a expressão de sentimentos desconhecidos dos antigos.

O pensamento viveu sob a matéria; ele, porém, revestiu as formas severas da filosofia cuja arte inspirava. Às tragédias de Ésquilo, aos mármores de Milo, sucederam as descrições e as pinturas de torturas físicas e morais dos condenados. A arte se eleva; reveste um caráter grandioso e sublime, mas sombrio ainda. Está, com efeito, toda inteira na pintura do inferno e do céu da Idade Média, de sofrimentos eternos, ou de uma beatitude tão longe de nós, colocada tão alto, que nos parece quase inacessível; talvez seja porque esta última nos toque tão pouco quando a vemos reproduzida sobre a tela ou sobre o mármore.

Hoje ainda, ninguém poderia contestá-lo, o mundo está num período de transição, sacudido entre os hábitos antiquados, as crenças insuficientes do passado, e as verdades novas que lhe são progressivamente reveladas.

Como a arte cristã sucedeu a arte pagã transformando-a, a arte espírita será o complemento da transformação da arte cristã. O Espiritismo nos mostra, com efeito, o futuro sob uma luz nova e mais ao nosso alcance; por ele, a felicidade está mais perto de nós, está ao nosso lado, nos Espíritos que nos cercam e que jamais deixaram de estar em relação conosco.

A morada dos eleitos, a dos condenados, não estão mais isoladas; há solidariedade incessante entre o céu e a Terra, entre todos os mundos de todos os Universos; a felicidade consiste no amor mútuo de todas as criaturas chegadas à perfeição, e numa constante atividade tendo por objetivo instruir e conduzir, a essa mesma perfeição, aqueles que estão atrasados. O inferno está no próprio coração do culpado que encontra o castigo nos seus remorsos, mas não é eterno, e o mau, entrando no caminho do arrependimento, reencontra a esperança, este sublime consolo dos infelizes.

Que fontes inesgotáveis de inspiração para a arte! Quantas obras-primas, de todos os gêneros, as idéias novas não poderiam produzir, pela reprodução das cenas tão múltiplas e tão variadas da vida espírita! Em lugar de representar os despojos frios e inanimados, ver-se-á a mãe tendo ao seu lado a sua filha querida, na sua forma radiosa e etérea: a vítima perdoa o seu carrasco; o criminoso fugindo em vão do espetáculo, sem cessar renascente, de suas ações culposas! O isolamento do egoísta e do orgulhoso, no meio da multidão; a perturbação do Espírito nascendo na vida espiritual, etc., etc.; e se o artista quer se elevar acima da esfera terrestre, nos mundos superiores, verdadeiros Édens onde os Espíritos avançados gozam da felicidade adquirida, ou reproduzir  algumas cenas dos mundos inferiores, verdadeiros infernos onde as paixões reinam soberanas, quantas cenas emocionantes, quantos quadros palpitantes de interesse não haverá para se reproduzir!

Sim, certamente, o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso e ainda inexplorado; e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações, e o seu nome viverá nos séculos futuros, porque às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, substituirá o estudo da vida futura e eterna da alma.

A música espírita

Recentemente, na sede da Sociedade Espírita de Paris, o Presidente me deu a honra de pedir a minha opinião sobre o estado atual da música e sobre as modificações que lhe poderiam trazer a influência das crenças espíritas. Se não me entreguei em seguida a esse benevolente e simpático pedido, crede-o bem, senhores, que só uma causa maior motivou a minha abstenção.

Os músicos, meu Deus! são homens como os outros, mais homens talvez, e, a esse título, são fracos e pecáveis. Não fui isento de fraquezas, e se Deus me fez a vida longa, a fim de me dar o tempo de me arrepender, a embriaguez do sucesso, a complacência dos amigos, a bajulação dos aduladores, freqüentemente, disso me retiraram a possibilidade. Um maestro é uma força, neste mundo onde o prazer desempenha tão grande papel. Aquele cuja arte consiste em seduzir os ouvidos, a comover o coração, vê muitas armadilhas se criarem sob os seus passos, e nelas cai, o infeliz! Embriaga-se com a embriaguez dos outros; os aplausos lhe tapam os ouvidos, e vai direto ao abismo, sem procurar um ponto de apoio para resistir ao arrastamento.

Entretanto, apesar dos meus erros, eu tinha fé em Deus; acreditava na alma que vibrava em mim e, desligado de sua carga sonora, ela depressa reconheceu-se no meio das harmonias da criação e confundiu a sua prece com aquelas que se elevam da Natureza ao infinito da criação, ao Ser incriado!….

Estou feliz pelo sentimento que provocou a minha vinda entre os espíritas, porque foi a simpatia que a ditou, e, se a curiosidade de início me atraiu, é ao meu reconhecimento que devereis a minha apreciação da questão que me foi colocada.

Eu estava lá, prestes a partir, crendo tudo saber, quando o meu orgulho caindo me revelou minha ignorância. Eu permanecia mudo, e escutava: retornei, instruí-me, e quando, às palavras de verdade emitidas pelos vossos instrutores, se juntaram a reflexão e a meditação, eu disse a mim: O grande maestro Rossini, o criador de tantas obras de arte, segundo os homens, não fez, ai de mim! senão debulhar algumas das pérolas menos perfeitas do escrínio musical criado pelo Mestre dos mestres. Rossini juntou notas, compôs melodias, saboreou no copo que contém todas as harmonias; furtou algumas centelhas ao fogo sagrado, mas esse fogo sagrado, nem ele nem outros não o criaram! . Não inventamos nada: copiamos do grande livro da Natureza e a multidão aplaude quando não deformamos muito a partitura.

Uma dissertação sobre a música celeste! Quem poderia disso se encarregar? Que Espírito sobre-humano poderia fazer vibrar a matéria em uníssono dessa arte encantadora! Que cérebro humano, que Espírito encarnado poderia dela apreender as nuanças variadas ao infinito?… Quem possui, nesse ponto, o sentimento da harmonia?… Não, o homem não está feito para semelhantes condições!… Mais tarde?… bem mais tarde!…

Esperando, talvez venha logo satisfazer ao vosso desejo e vos dar a minha apreciação sobre o estado atual da música, e dizer-vos das transformações, dos progressos que o Espiritismo poderá nela introduzir. – Hoje é muito cedo ainda. O assunto é vasto, já o estudei, mas me excede ainda; quando nele for mestre, se todavia a coisa for possível, ou melhor, quando tiver entrevisto tanto quando o estado de meu Espírito mo permitirá, eu vos satisfarei; mas ainda um pouco de tempo. Se um músico pode falar sozinho da música do futuro, deve fazê-lo como mestre, e Rossini não quer, dela falar como um escolar. ROSSINI (Médium, Sr. Desliens).

O silêncio que guardei sobre a questão que o Mestre da Doutrina Espírita me dirigiu, foi explicado. Era conveniente, antes de abordar esse difícil assunto, me recolher, me lembrar, e condensar os elementos que estão sob a minha mão. Eu não tinha, que estudar a música, tinha somente que classificar os argumentos com método, a fim de apresentar um resumo capaz de dar a idéia de minha concepção sobre a harmonia. Esse trabalho, que não fiz sem dificuldade, está terminado, e estou pronto a submetê-lo à apreciação dos espíritas.

A harmonia é difícil de definir; freqüentemente, confundem-na com a música, com os sons resultantes de um arranjo de notas, e de vibrações de instrumentos produzindo esse arranjo. Mas a harmonia não é, isso, não mais do que a chama não é a luz. A chama resulta da combinação de dois gases, é tangível; a luz que ela projeta é um efeito dessa combinação, e não a própria chama: ela não é tangível. Aqui, o efeito é superior à causa. Assim ocorre com a harmonia; ela resulta de um arranjo musical, é um efeito que é igualmente superior à causa: A causa é brutal e tangível; o efeito é sutil e não é tangível.

Pode-se conceber a luz sem chama e compreende-se a harmonia sem música. A alma está apta a perceber a harmonia fora de todo concurso de instrumentação, como está apta para ver a luz fora de todo concurso de combinações materiais. A luz é um sentido íntimo que a alma possui: quanto mais esse sentido está desenvolvido, melhor ela percebe a luz. A harmonia é igualmente um sentido íntimo da alma: ela é percebida em razão do desenvolvimento desse sentido. Fora das causas tangíveis, a luz e a harmonia são de essência divina; são as possuídas em razão dos esforços que se fazem para adquiri-las. Se comparo a luz e a harmonia, é para melhor me fazer compreender, e porque também esses dois sublimes gozos da alma são filhos de Deus e, por conseguinte, irmãos.

A harmonia do espaço é tão complexa, tem tantos graus que conheço, e muito mais ainda que me estão ocultos no éter infinito, que aquele que está colocado numa certa altura de percepções, está como saído do espanto contemplando essas harmonias diversas, que constituiriam, se estivessem reunidas, a mais insuportável cacofonia; ao passo que, ao contrário, percebidas, separadamente, constituem a harmonia particular a cada grau. Essas harmonias são elementares e grosseiras nos graus inferiores; levam ao êxtase nos graus superiores. Tal harmonia que fere um Espírito de percepções sutis, extasia um Espírito de percepções grosseiras; e quando é dado, ao Espírito inferior se deleitar nas delícias das harmonias superiores, o êxtase o toma e a prece entra nele; o arrebatamento o transporta para as esferas elevadas do mundo moral; ele vive de uma vida superior à sua e gostaria de viver sempre assim. Mas quando a harmonia cessa de penetrá-lo, ele desperta, ou, querendo-se, ele adormece; em todos os casos, retorna à realidade de sua situação, e, nos lamentos que deixa escapar por ter descido, se exala uma prece ao Eterno, para pedir a força de subir. É para ele um grande motivo de estímulo.

Eu não tentaria dar a explicação dos efeitos musicais que o Espírito produz agindo sobre o éter; o que é certo é que o Espírito produz os sons que quer, e que não pode querer o que não sabe. Ora, portanto, aquele que compreende muito, que tem nele a harmonia, que dela está saturado, que goza, ele mesmo, de seu sentido íntimo, desse nada impalpável, dessa abstração que é a concepção da harmonia, age quando quer sobre o fluido universal que, instrumento fiel, reproduz o que o Espírito concebe e quer. O éter vibra sob a ação da vontade do Espírito; a harmonia que este último traz em si se concretiza, por assim dizer, ela se exala doce e suave como o perfume da violeta, ou ruge como a tempestade, ou ela explode como o raio, ou se lamenta como a brisa; é rápida como o relâmpago, ou lenta como a nuvem; é quebrada como um soluço, ou unida como uma relva; é desgrenhada como uma catarata, ou calma como um lago; murmura como um regato ou ronca como uma torrente. Ora tem a aspereza agreste das montanhas, ora a frescura de um oasis; ela é alternativamente triste e melancólica como a noite, jovem e alegre como o dia; é caprichosa como a criança, consoladora como a mãe e protetora como o pai; é desordenada como a paixão, límpida como o amor, e grandiosa como a Natureza. Quando ela está neste último termo, confunde-se com a prece, glorifica Deus, e coloca no arrebatamento aquele mesmo que a produz ou a concebe.

Ó comparação! Comparação! Por que é necessário ser obrigado a te empregar! Por que é necessário se dobrar às tuas necessidades degradantes e emprestar, à natureza tangível, imagens grosseiras para fazer conceber a sublime harmonia na qual o Espírito se deleita. E ainda, apesar das comparações, não se pode fazer compreender essa abstração que é um sentimento íntimo quando ela é causa, e uma sensação quando se torna efeito.

O Espírito que tem o sentimento íntimo da harmonia é como o Espírito que tem a aquisição intelectual; ele goza constantemente, um e o outro, da propriedade inalienável que amontoaram. O Espírito inteligente, que ensina a sua ciência àqueles que ignoram, sente a felicidade de ensinar porque torna felizes aqueles a quem instrui; o Espírito que faz o éter ressoar com acordes da harmonia que está nele, experimenta a felicidade de ver satisfeitos aqueles que o escutam.

A harmonia, a ciência e a virtude são as três concepções do Espírito; a primeira o extasia, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em suas plenitudes, elas se confundem e constituem a pureza. Ó Espíritos puros que as contendes! Descei às nossas trevas e clareai a nossa marcha; mostrai-nos o caminho que tomastes, a fim de que sigamos as vossas pegadas!

E quando penso que esses Espíritos, dos quais posso compreender a existência, são seres finitos, átomos, em face do Senhor universal e eterno, minha razão fica confundida pensando na grandeza de Deus e da felicidade infinita que saboreia em si mesmo, pelo único fato de sua pureza infinita, uma vez que tudo o que a criatura adquire não é senão uma parcela que emana do Criador. Ora, se a parcela chega a fascinar pela vontade, a cativar e a deslumbrar pela suavidade, a resplandecer pela virtude, que deve produzir, pois, a fonte eterna e infinita de onde ela é tirada? Se o Espírito, ser criado, chega a haurir em sua pureza tanto de felicidade, que idéia se deve ter daquela que o Criador possui em sua pureza absoluta? Eterno problema!

O compositor que concebe a harmonia a traduz na grosseira linguagem que se chama música; concretiza a sua idéia, ele escreve. O artista estuda a forma e agarra o instrumento que permite representar a idéia. O ar, posto em movimento pelo instrumento, leva-a ao ouvido que a transmite à alma do ouvinte. Mas o compositor ficou impossibilitado de representar inteiramente a harmonia que concebera, por falta de uma linguagem suficiente; executando-a, por sua vez, não compreendeu toda a idéia escrita, e o instrumento indócil, do qual se serve, não lhe permite traduzir tudo o que ele compreendeu. O ouvido é ferido por um ar grosseiro que o cerca, e a alma recebe, enfim, por um órgão rebelde, a horrível tradução da idéia nascida na alma do maestro. A idéia do maestro era o seu sentimento íntimo, embora desvirtuada pelos agentes de instrumentação e de percepção, ela produziu, entretanto, sensações naqueles que o ouviram traduzir; essas sensações são a harmonia. A música as produziu: elas são o efeito desta última. A música é posta a serviço do sentimento para produzir a sensação. O sentimento, no compositor, é a harmonia; a sensação, no ouvinte, é também harmonia, com esta diferença de que ela é concebida por um e recebida pelo outro. A música é o médium da harmonia, ela a recebe e a dá, como o refletor é o médium da luz, como tu és o médium dos Espíritos. Ela a torna mais ou menos desvirtuada segundo seja mais ou menos executada, como o refletor devolve mais ou menos bem a luz segundo seja mais brilhante e polido, como o médium exprime mais ou menos os pensamentos dos Espíritos, segundo ele seja mais ou menos flexível.

E agora que a harmonia está bem compreendida em sua significação, que se sabe que ela é concebida pela alma e transmitida à alma, compreender-se-á a diferença que há entre a harmonia da Terra e a harmonia do espaço.

Entre vós, tudo é grosseiro: o instrumento de tradução e o instrumento de percepção; entre nós tudo é sutil: tendes o ar, nós temos o éter; tendes o órgão que obstrui e obscurece; entre nós, a percepção é direta, e nada a obscurece. Entre vós, o autor é traduzido; entre nós ele fala sem intermediário, e na língua que exprime todas as concepções. E, todavia, essas harmonias têm a mesma fonte, como a luz da Lua tem a mesma fonte que a do Sol, a harmonia da Terra não é senão o reflexo da harmonia do espaço.

A harmonia é tão indefinível quanto a felicidade, o medo, a cólera: é um sentimento. Não é compreendida senão quando possuída, e não é possuída senão quando adquirida. O homem que é alegre não pode explicar a sua alegria; aquele que tem medo não pode explicar o seu medo; eles podem dizer os fatos que provocam esses sentimentos, defini-los, descrevê-los, mas os sentimentos restam inexplicados. O fato que causa a alegria de um não produzirá nada sobre o outro; o objeto que ocasiona o medo de um produzirá a coragem de outro. As mesmas causas são seguidas de efeitos contrários; em física não é assim, em metafísica isso existe. Isso existe porque o sentimento é a propriedade da alma, e que as almas diferem entre si de sensibilidade, de impressionabilidade, de liberdade. A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta um e deixa o outro frio e indiferente. É que o primeiro está em estado de receber a impressão que produz a harmonia, e que o segundo está num estado contrário; ele ouve o ar que vibra, mas não compreende a idéia que lhe transporta. Este chega ao aborrecimento e adormece, aquele ao entusiasmo e chora.

Evidentemente, o homem que gosta das delícias da harmonia é mais elevado, mais depurado, do que aquele que ela não pode penetrar; a sua alma está mais apta a sentir; liberta-se mais facilmente, e a harmonia a ajuda a libertar-se; ela a transporta e lhe permite ver melhor o mundo moral. De onde é necessário concluir que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que leva a harmonia às almas, e que a harmonia as eleva e as engrandece. A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo; mas a razão dessa influência é geralmente ignorada. Sua razão está inteiramente neste fato: que a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa. Este sentimento existe em um certo grau, mas se desenvolve sob a ação de um sentimento similar mais elevado. Aquele que está privado desse sentimento, a ele é levado gradativamente: acaba, ele também, por se deixar penetrar e se deixar arrastar no mundo ideal onde esquece, por um instante, os grosseiros prazeres que prefere à divina harmonia.

E agora, se se considera que a harmonia sai do concerto do Espírito, disso se deduzirá que se a música exerce uma feliz influência sobre a alma, a alma, que a concebe, exerce também uma influência sobre a música. A alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que adquiriu a harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais blindadas e comovê-las. Se o compositor é terra a-terra, como representará a virtude que ele desdenha, o belo que ignora e o grande que não compreende? Suas composições serão o reflexo de seus gostos sensuais, de sua leviandade, de sua indiferença. Elas serão ora licenciosas e ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas; comunicarão aos ouvintes os sentimentos que exprimirão e pervertê-los-ão ao invés de melhorá-los.

O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá, pois, uma grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que comunicarão as suas virtudes fazendo ouvir as suas composições.

Rir-se-á menos, chorar-se-á mais; a hilaridade dará lugar à emoção, a fealdade dará lugar à beleza e o cômico à grandiosidade.

Por outro lado, os ouvintes que o Espiritismo terá disposto para receberem facilmente a harmonia, apreciarão, na audição da música séria, um encanto verdadeiro; desdenharão a música frívola e licenciosa que se apodera das massas. Quando o grotesco e o obsceno forem abandonados pelo belo e pelo bem, os compositores dessa ordem desaparecerão; porque, sem ouvintes, nada ganharão, e é para ganhar que eles se sujam.

Oh! sim, o Espiritismo terá influência sobre a música! Como isso seria de outro modo? Seu advento mudará a arte, depurando-a. Sua fonte é divina, sua força a conduzirá por toda a parte onde haja homens para amar, para se elevar e para compreender. Tornar-se-á o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas, pedir-lhe-ão as suas inspirações, e ele as fornecerá, porque é rico, é inesgotável.

O Espírito do maestro Rossini, numa nova existência, retornará para continuar a arte que considera como a primeira de todas; o Espiritismo será o seu símbolo e o inspirador de suas composições. ROSSINI. (Médium, Sr. Nivart).